BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, Mulher, de 20 a 25 anos, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Música, Informática e Internet
Sem plano
Foi o acaso que marcou o momento único e eternizado.
Estavam distantes, contudo a intensidade encarregou-se de tornar o espaço um mero detalhe.
Ela talvez duvidasse daquele olhar, por isso, muito provavelmente, desviou seus orbes diversas vezes num intervalo infinitesimal. Por fim rendeu-se a dedicação e a persistência. O olhar era mesmo pra ela. Aquele olhar!
Ele susteve o rosto e mirou mais atentamente a moça da calçada. Lançou-lhe, mesmo sem perceber, um olhar aberto, tranqüilo, de quem encontra o que procura, mesmo sem ter saído de casa com esse propósito.
Ela manteve-se descrente, mas depois não olvidou em retribuir.
Olhou de volta com a mesma tranqüilidade, cumplicidade do peculiar companheiro de acaso que lhe dispensava sua atenção irrestrita, mesmo estando aprisionado no cotidiano da cidade, da rotina urbana, da vida pelo existir, não pelo viver.
É certo que quis descer, ir atrás dela, bem como ela desejou fazer o caminho inverso: embarcar e viajar sem saber pra onde, desde que soubesse ao lado de quem viajava.
Todavia, a roda viva do mundo foi mais rápida.
A luz verde que fluía do semáforo deu início ao fim dos intensos trinta segundos de admiração. Os rostos giraram tentando manter o contato, prolongar aquilo que poderia ter sido, mas não foi...
O olhar fez tudo que o corpo não pode, a mente tornou real tudo que poderia ter sido verdadeiramente palpável e a vida seguiu, esperando que o acaso colocasse de novo um sinal fechado pelo caminho.
So Long!
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o º O ... :: Aline:: ... O º o
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